Mostrando postagens com marcador humanização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humanização. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Reparação (simbólica) histórica

Hoje o clima no plenário da Câmara dos Deputados foi de emoção. A sessão solene de restabelecimento simbólico dos mandatos dos deputados federais cassados pela ditadura militar reuniu naquele espaço figuras importantes da história recente brasileira. Você pode ver um pouco da solenidade aqui nesta matéria.

As famílias dos que já morreram, emocionadas, aceitaram a reparação. Os que ainda vivem, após receber o diploma e o bottom da Câmara, ali se sentaram, recuperando talvez a memória do tempo em que tinham mandato popular para estarem naquele espaço. Mandato que foi usurpado pelo regime militar. O discurso da brilhante deputada Luiza Erundina foi emocionante e tão mobilizador, que me renovou a disposição para continuar oferecendo minha pequena contribuição para a luta por justiça e pela punição dos que cometeram crimes sob respaldo do estado autoritário.

Foi também inaugurada a exposição Parlamento mutilado: Deputados Federais cassados pela ditadura militar de 1964, no corredor que liga o plenário aos anexos da Câmara. Ali se veem fotos, trechos de músicas e textos alusivos ao abuso e às arbitrariedades cometidas pelos militares no período 1964-1985.

No hall de entrada que antecede o corredor das comissões, foi instalado o magnífico painel do grande artista Elifas Andreato, no qual se representa a perversão das sessões de tortura, que se tornaram banais nos porões do regime militar. 


sábado, 16 de janeiro de 2010

Dois filmes infantis.

Esta semana Sofia e eu assistimos a dois filmes: A princesa e o sapo e Alvin e os esquilos 2. Ambos tratam do tema "humanização", mas são essencialmente diferentes.

A princesa e o sapo nos remete aos bons filmes de animação dos estúdios Disney. Alia os desenhos animados feitos a mão com a moderna tecnologia digital para produzir um belo filme, que subverte, embora ainda timidamente, a tradição dos filmes da Disney. A princesa protagonista na verdade não é princesa, é uma garçonete que labuta dia e noite para realizar um sonho que herdou do pai: abrir um restaurante. O príncipe, na verdade, é um pobretão que tem apenas o título, mas não tem o reino. Ambos são negros, eis aí uma novidade. A história se passa em Nova Orleans e é permeada com uma produção musical jazzística de primeira qualidade. Alguns personagens são absolutamente sedutores, como o vagalume e o crocodilo trumpetista.



Já
Alvin e os esquilos 2 parece ser continuidade do primeiro (devo confessar que Sofia me poupou de assistir ao 1), pois repete os personagens centrais da trama: o "proprietário" de três esquilos cantores, o vilão que os perseguia e, além deles, introduz as "esquiletes", três esquilinhas também cantoras. A novidade é que os três esquilos vão para a escola; não fica claro, mas parece que se trata de uma típica high school americana, com todos os ingredientes daquele padrão medíocre dos filmes de adolescentes gringos: bulling, violência, preconceito, competição. A qualidade técnica do filme é sofrível: os esquilos tem péssima dicção, os cortes não são nem um pouco sutis e o roteiro tem incoerências flagrantes. Isso sem falar na péssima qualidade da música pop, tanto dos esquilos quanto das esquiletes.


O processo de humanização sequer existe em
Alvin e os esquilos 2: a narrativa parte do pressuposto de que esquilos e esquilas já são humanos, em sua essência. É como se os bichos substituíssem, com toda a naturalidade, crianças que vivem aquelas aventuras. Em suma: humaniza-se forçadamente o animal e disso resulta uma baita incoerência interna na narrativa cinematográfica.

Em
A princesa e o sapo, temos o contrário: a mocinha beija o sapo que era príncipe, graças ao feitiço de um santero caribenho, que o substitui por um velhote transformado em príncipe pelo mesmo feitiço. Esse feiticeiro é também um personagem impagável, que vale a pena ver. Em vez de o príncipe voltar a ser humano, é a mocinha que se transforma em sapo. Os dois vivem aventuras inacreditáveis, correndo contra o tempo para recuperarem a forma humana e poderem viver os sonhos que sonharam juntos. Mas o tempo é implacável e frustra todas as chances que eles tem de retomarem suas vidas. Só quando os dois sapinhos desistem de voltar à forma humana é que se tornam novamente humanos e dessas aventuras emerge um casal novo, com novos valores e disposto a ser feliz.

Edificante, não?
A princesa e o sapo tem o mérito de mostrar a difícil vida dos negros nos EUA - o príncipe escapava do destino de milhares de negros americanos porque vinha de um reino distante, provavelmente da África. Mas não espere muitos questionamentos da realidade, porque não os há. Assim como não os há em Alvin e os esquilos 2, que se limita a reproduzir servilmente os padrões de consumo do americano médio, sua alienação e desinformação.

Na próxima semana iremos assistir a
Onde moram os monstros e Astroboy. Depois compartilho aqui mais impressões de avó cinéfila.