segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Uma semana em Teresina!

A semana que passou foi dedicada à disciplina Literatura II, no curso de Licenciatura em Artes, da Universidade Federal do Piauí/PRONERA, Turma Augusto Boal, composta por alunos do MST.
Lemos e discutimos Antonio Candido, mais uma vez; nosso sempre atual mestre nos ensinou a ver os dois gumes da literatura. Feito isso, partimos para leitura e discussão de São Bernardo, de Graciliano Ramos.
Descobrimos como esse escritor modulou a perspectiva para que a história fosse narrada do ponto de vista de Paulo Honório, proprietário da fazenda que dá nome ao romance.
Lemos também o Auto do Frade, de João Cabral de Melo Neto, o que nos levou a discutir a necessidade de que sejam mais estudados os movimentos rebeldes registrados pela História do Brasil que, como no caso deste "poema para vozes", são captados pela literatura.

Nos diálogos disciplinares, lemos e comparamos Morte e vida severina, do mesmo João Cabral, com Mutirão em Novo Sol, peça escrita por Augusto Boal, Nélson Xavier e outros, na década de 1960.
Para concluir essa viagem teórico-analítica, foi lido e discutido o texto de Hermenegildo Bastos, A permanência da literatura.
A semana foi, de fato, muito proveitosa. Vários textos foram produzidos, junto com a discussão de diferentes problemas motivados pela leitura. O debate foi uma constante, situado em um patamar no qual as restrições da ideologia burguesa não tiveram lugar.
Nesta etapa, pude notar significativo progresso da turma, que avançou em termos de leitura e expressão escrita, assim como na qualificação das discussões e do debate.
E a turma está produzindo bastante. Vejam alguns trabalhos:






Por último, nossa foto no último dia de aula:

Apesar do calor de 40 graus, apesar da precariedade das instalações, valeu a pena! Voltei para Brasília com energia nova, acreditando no que existe de humano nas pessoas...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sobre os acontecimentos recentes em Brasília.

Preparem-se, que o texto é longo:

UM MENTIROSO E SEU ESQUEMÃO

Provocam alguma reflexão, além de muita indignação, os acontecimentos das últimas semanas em Brasília, com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acossado por denúncias de corrupção, e as imagens da repressão das manifestações pelo seu impeachment por parte do Batalhão de Cavalaria da Polícia Militar do DF.

Não se trata de denúncias em que se tem a palavra de um contra a de outro. Há cenas explícitas de distribuição de dinheiro vivo – e muitas – gravadas por um ex-secretário do governo, com autorização da Justiça, no bojo de uma investigação realizada pela Polícia Federal. Estão envolvidos, de acordo com os diálogos e imagens dessas cenas gravadas, além do governador, também o vice-governador, Paulo Octávio, e deputados distritais, a começar pelo presidente da Câmara Legislativa do DF e pelo então corregedor daquela casa, entre outros menos visíveis, mas não menos importantes líderes partidários na vida política do DF, como o secretário de saúde, Augusto Carvalho, e seu subsecretário, Fernando Antunes. Junte-se a esse bolo a decana Eurides Brito, toda cautelosa a trancar a porta do escritório antes colocar a bufunfa na bolsa. E outros, mais outros, já revelados nas gravações e ainda por revelar...

É um escândalo de grande monta, não resta dúvida, tanto do ponto de vista financeiro, posto que a distribuição de dinheiro já vem de alguns anos, quanto do ponto de vista ético, pela desfaçatez das declarações públicas dos denunciados.

Após sumiço de alguns dias, seguido de seu pedido de desligamento do DEM para evitar a expulsão, Arruda agora deixa claro que articula sua base de apoio na Câmara Legislativa para evitar o impeachment – já são oito os pedidos protocolados naquela casa.

Assim, exonerou de seus cargos no governo dois secretários para que voltem â Câmara: Eliana Pedrosa – já investigada por envolvimento no escândalo da terceirização do cemitério de Brasília – e Paulo Roriz.

Os deputados denunciados, em vez de se declararem impedidos de continuar exercendo seus mandatos e, mais, de votar o impedimento do governador de cujo esquema de corrupção participaram, voltaram serelepes a ocupar suas cadeiras naquela casa legislativa, após breve e silencioso sumiço, prontos para votar de acordo com a orientação do governador. Já que provar inocência nessas acusações, tão clara e cristalinamente provadas, será difícil, trata-se agora de unificar o discurso de que não houve crime de corrupção, mas apenas arrecadação de dinheiro para a campanha política que se aproxima; por isso circulou tanto dinheiro vivo de mão em mão, com direito até ao ritual de oração para agradecimento da rica dádiva. Mais uma vez se anuncia, no âmbito dos poderes locais, a grande disposição para a fabricação de enorme e indigesta pizza! Ou panetone?...

Perfil de um mentiroso compulsivo

No meio de tudo isso, vale a pena parar um momento para refletir sobre o perfil desse senhor, José Roberto Arruda, especialista em espetaculares performances midiáticas, laboriosamente calculadas para reconstruir e reafirmar sua imagem de bom moço, seriamente danificada após o conhecido episódio de violação do painel de votações do Senado Federal, em parceria com o senador Antonio Carlos Magalhães, à época em que esse bom moço era líder do governo FHC naquela casa legislativa.

Naquela ocasião, Arruda mentiu e sustentou até o último minuto sua mentira. Foi à tribuna do Senado, tentou transferir a culpa a servidores da Casa, chorou, jurou, só faltou espernear. Pode ter comovido alguns de seus pares, mas, alertado por ACM de que a cassação seria inevitável, dada a transparência de seu comportamento delinquente – muito mais que simples quebra de decoro parlamentar –, antecipou-se e apresentou seu pedido de renúncia ao cargo de senador.

Mas não se afastou da vida política. Sem lugar no PSDB das vestais de fachada, bandeou-se para o então PFL – hoje autodenominado Democratas, em vã tentativa de apagar a história de sua origem na ditadura militar.

No trabalho de reconstrução da imagem pública dedicou-se a arregimentar, imagine-se com que métodos, cabos eleitorais na periferia de Brasília. Esmerou-se o atual governador em agradar a classe média do Plano Piloto, especialmente os mais jovens. Entre suas conquistas, sobressai o número de turmas de formandos que apadrinhou, inclusive na mesma Universidade na qual estudam hoje os mesmos estudantes que fazem manifestações de repúdio ao seu governo. Certa vez, ao questionar um formando da turma de Ciência Política, sobre o porquê de Arruda ter sido convidado para paraninfo, recebi a seguinte resposta: “Ele paga a festa e o churrasco”. Essa imagem reconstruída foi endossada alegremente pela mídia local, que via no ex-senador o candidato ideal para enfrentar Geraldo Magela, do PT, nas eleições do Distrito Federal.

Elegeu-se em 2006 o único governador do DEM. Governou até duas semanas atrás com o irrestrito apoio da mídia local: jornais e emissoras de TV raramente apresentam matérias com críticas a Arruda; quando o fazem, forçados pela alta visibilidade de algum problema de sua administração, ouvem e reproduzem enfaticamente a versão governamental, em atitude cúmplice, minimizando sua responsabilidade. Basta lembrar que, quando estourou este último escândalo, não houve sequer uma chamada de primeira página no Correio Braziliense, que apenas iniciou timidamente sua cobertura dois dias após a divulgação das gravações, quando não havia mais como justificar seu silêncio.

Lembro que Arruda, em um programa do horário político de sua campanha para governador, abordou o assunto da violação do painel do Senado. Chorou, reconheceu que havia cometido um erro e pediu perdão à população do Distrito Federal, jurando que havia se regenerado, que havia aprendido a ser humilde após o episódio. Prometeu que a palavra de ordem de seu governo seria “honestidade”. Assim amealhou, com apoio maciço da mídia local e de generosas doações de campanha – declaradas e não declaradas, sabe-se hoje –, a maioria dos votos dos eleitores, que lhe deram a implorada “segunda chance”.

Flagrado novamente em “desvio ético” – eufemismo que começa a aparecer nas colunas de alguns jornalistas –, Arruda volta a mentir. Mente tanto e com tal sinceridade que chega a acreditar nas mentiras que conta, com os olhos marejados. No discurso de desligamento do DEM, atribui a adversários políticos o trampo em que se meteu, pois o querem fora da disputa do governo em 2010. Mais uma vez põe-se a reconstruir com afinco a imagem de bom moço. Esconde o favorecimento de seu governo à empresa que tem como sócio um filho seu; esconde o cargo comissionado de sua filha, de alto salário, no Judiciário do DF, na tentativa de esconder a rede de favores que estabeleceu com “amigos” nos tribunais. A reconstrução de sua imagem só se pode efetivar pelo ato recorrente de esconder fatos e informações, acostumado que está a esconder também o dinheiro que recebeu ao longo desses anos e o aumento desproporcional de seu patrimônio declarado.

No caso do governador do DEM, vale a máxima, com pequena alteração: “quem sai aos seus não se regenera.” Arruda pensa que pode continuar a mentir, pois quem acredita nas próprias mentiras pensa que não está mentindo. Cabe ao cidadão do Distrito Federal decidir se acredita ou não em suas mentiras: se o deixa quietinho no cargo, escondendo impunemente o que há para se esconder, ou se vai para as ruas, gritando de peito aberto pela sua cassação e de todos os que participaram com ele de mais um “esquemão”.



Inaugurando nova fase

Depois da viagem à Austrália, que foi boa demais, ficamos com pena de desativar este blogue. Ele se mostrou um canal eficaz de comunicação com nossos amigos e parentes enquanto estivemos fora.
Por isso, resolvemos mantê-lo, mudando um pouco o foco: agora as viagens serão todas as que fizermos e que tiverem coisas interessantes para serem mostradas aqui. Mas não só isso: vamos também comentar aqui os assuntos do momento, nas áreas de arte, literatura, cinema e política.
É uma nova fase do blogue. Daqui a um tempo, pararemos para avaliar se continuamos com ele ou se paramos definitivamente. Enquanto isso, continuem nos acompanhando...


E apreciem esta belíssima foto, de autoria do Ripper, que nos mostra que a afetividade existe em meio à dureza da vida.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Impressões de viagem

Austrália é um país rico.

Depois dessa viagem, quando disserem que é um Brasil que deu certo, não concordarei. Não há parâmetro de comparação para afirmar isso. São processos de formação e projetos de nação muito diferentes.

A Austrália me pareceu mais uma extensão da Inglaterra no portal de entrada para a Ásia. Ocupa ali uma posição estratégica de defesa dos interesses ingleses e americanos. É alinhada com a política estadunidense: tem tropas no Afeganistão e no Iraque, faz parte da Comunidade Britânica, é parlamentarista e cultua a rainha da Inglaterra.

Possui área quase do tamanho do Brasil, mas não tem mais que 25 milhões de habitantes, a maioria concentrada nas cidades do litoral. Os jogos de azar são liberados, os australianos são apostadores contumazes e há grande número de viciados em jogos. Conhecemos dois grandes cassinos e vimos muitas casas pequenas de apostas. Eles apostam mais em corridas de cavalos e corridas de cachorros.

A leitura dos jornais mostra que no país há escândalos de corrupção e também o crime organizado ligado à jogatina. Há pessoas riquíssimas, tipo megaempresários, mas não há, pelo menos aparentemente, o lado oposto da pobreza extrema. Dá a impressão de ser um país de classe média: consumismo e alienação, mas também qualidade de vida.

O processo de aniquilamento dos aborígenes é visível. Hoje eles são minoria, vivem de bolsas do Estado, sofrem com as doenças típicas dos brancos: alcoolismo e depressão, com alto índice de suicídios. Contraditoriamente, é a arte aborígene que parece ser a mais autêntica expressão da Austrália. Vimos nos museus mais arte aborígene do que a produzida pelos australianos de origem anglo-saxônica. É a preservação da cultura de um povo em extinção, que morre na realidade mas se mantém presente na arte.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

De volta...

Nosso último dia em Sydney foi meio corrido, mas muito bom.

Saímos de manhã, separados: Gilson foi fazer o último passeio no Jardim Botânico e na Art Gallery of NSW e Natália e eu fomos andar na Oxford Street, lugar que nos disseram ser bom para compras... Ledo engano: tudo caro! Mas valeu pela caminhada e pelas fotos:

Da série Casas sem muros

A gente se encontrou para o almoço, que foi rápido e leve, no Queen Victoria Building. Aliás, muitos lugares e prédios tem o nome dessa rainha, mais homenageada que a atual - vocês sabem que os australianos são também súditos da rainha da Inglaterra, não? Olha ela aí, a Victoria:


Não podíamos deixar de visitar a Sydney Tower, que realmente oferece a melhor vista da cidade. Vejam algumas fotos:



Linda, não? O litoral recortado, a modernidade das construções, o sossego das ruas nos bairros, a inexistência de indústria pesada (o que reduz muito a poluição do ar), tudo isso faz de Sydney uma das cidades mais agradáveis da Austrália.

Depois dessa maratona, fomos para o hotel. Nossa intenção era sair mais tarde para um jantar de despedida, mas começamos a arrumar as malas, Natália começou a estudar a teoria do curso de mergulho via internet, e acabamos pedindo uma... pizza!!!

Foi comendo pizza, arrumando malas e lembrando os numerosos micos da longa viagem pela Austrália que rimos e brincamos muito.


Acabamos indo dormir muito tarde, estávamos ansiosos com a perspectiva da viagem. Na quinta-feira, 29/10, pulamos cedo da cama. Pegamos o táxi de um libanês muito comunicativo, que falou mal dos australianos e recomendou a Tchuca que se casasse com um "libanês, mas cristão". Resultado: às 7h30 da manhã já estávamos no aeroporto. Natália foi conosco quase até a porta do avião.

Foto tirada por um velhinho com crachá de embaixador do aeroporto

Na despedida, muitos beijos e algumas lágrimas. Nada italianamente dramático, só aquele separar-se querendo ficar juntos. Natália mandou beijos para todos os parentes e amigos, mandou dizer que adorou TODOS os presentes que mandaram para ela.

E entramos no avião para longuíssimas 26 horas de viagem...

Com direito a uma mal-tirada foto da cordilheira dos Andes, através do vidro do salão de embarque do aeroporto de Santiago:


Descemos no aeroporto de Brasília à meia-noite dessa quinta-feira. Fazemos este post ainda sob os efeitos nefastos do jet lag.

Brevemente escreveremos aqui nossas impressões da Austrália: o que observamos do estilo de vida, da organização social, do povo.

Até!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Continuamos em Sydney!

Calma, gente, o chá de sumiço foi porque a Natália anda usando muito o computador para fazer, via internet, as lições preliminares de um curso de mergulho. Quando a gente viajar, na quinta-feira, ela vai ter as primeiras aulas.

Agora é tempo de mimar ainda mais essa menina, porque está chegando o dia em que a gente vai se despedir. Até massagem nos pés ela está ganhando:

No domingo, mesmo com chuva, a gente almoçou no bairro chinês, uma comida deliciosa. Depois passamos na confeitaria japonesa e compramos doces:

Tchuca chama atenção para a forma dos doces...

Depois de comer doces e andar bastante no City Market, ficamos curtindo preguiça no hotel.

Ontem, segunda-feira, como a chuva continuava, com muito vento, o jeito foi a gente visitar o Museu de Arte Contemporânea da Austrália, que fica no Circular Quay:



Como durante a visita foi permitido fotografar, sem flash, fizemos uma montagem com as fotos das obras de arte que vimos lá:





A arte contemporânea daqui nos pareceu preocupada com as questões ambientais. Principalmente os jovens artistas utilizam frequentemente sucata em suas obras. Mas também é uma arte que se reconhece impotente frente aos problemas do meio ambiente.

Bem, depois de almoçarmos com Natália, ainda batemos perna na George Street, principal rua de Sydney. Andamos até!!!

E hoje foi dia de passear no ferry que circula por toda a baía de Sydney e ver algumas belas paisagens, da cidade e dos subúrbios:

Opera House...

Harbour Bridge

Watsons Bay

Darling Harbour

Amanhã, nosso último dia na Austrália, tem mais. Como a meteorologia promete sol, vamos à Sydney Tower, Oztrek and Skywalker. Tem uma vista de 360º da cidade!

Um saquinho de canguru para quem descobrir a Sydney Tower na foto!

E uma coisa é certa: vamos ficar grudados na Tchuca até a hora de embarcar para o Brasil.

Até!!!

domingo, 25 de outubro de 2009

Chuva...

Hoje foi domingo de muita chuva em Sydney. Fotos? Nada.

O que fazer? Mercado, mercado, mercado...

Esperamos que amanhã faça sol.

Até!!!