
Hoje eu soube da morte de um querido professor de Araxá, João Rios. A notícia chegou no momento em que saía em viagem. Sob forte emoção, antes de pegar a estrada, fomos, meu irmão e eu, dois ex-alunos, prestar-lhe a última homenagem e abraçar a esposa.
Desde a semana passada me ocorrera fazer a ele uma visita, infelizmente não concretizada. Profundo arrependimento me incomoda por não tê-lo encontrado antes do enfarte que lhe tirou a vida e privou o mundo de um intelectual cuja importância em minha formação é incomensurável.
Estive com o Prof. João por duas vezes, ano passado. A primeira foi para uma conversa agradabilíssima sobre meu primeiro livro, Graciliano Ramos, um escritor personagem. A segunda, para presenteá-lo com outro, que escrevi em coautoria com dois colegas/amigos, Catálogo de benefícios: o significado de uma homenagem, também em torno de Graciliano Ramos. Nessa ocasião, a promessa de voltar para uma terceira visita, adiada por motivos diversos, e agora definitivamente impossível...
Se há alguém que posso chamar de "meu tipo inesquecível", é João Rios. Estudei com ele dois anos seguidos, nos tempos do antigo ginasial. Era professor de língua portuguesa e iniciou-me na literatura brasileira. A cada início de ano, passava-nos uma lista de 10 livros de autores brasileiros, de diferentes períodos, todos disponíveis na biblioteca pública. A gente ia lendo e ficava esperando o dia em que ele "cobraria" a leitura, mas isso não acontecia. O que acontecia era uma aula em que o professor comentava um dos livros, trocava ideias sobre ele conosco, ajudava-nos a entender a linguagem, os significados, as relações entre a obra literária e a sociedade em que vivíamos, nos anos de chumbo da ditadura empresarial-militar que assolou o Brasil por 21 anos.
Éramos meninas e meninos de 13, 14 anos e tínhamos um professor que, além de nos ensinar a escrever bem, exercia conosco a leitura emancipadora, em pleno período de repressão política e alienação forçada da juventude. Estudar com o Professor João Rios foi garantia de nos tornarmos seres pensantes, críticos e politicamente atuantes.
Na dedicatória do segundo livro com que o presenteei, lembro-me de ter escrito: "inesquecível professor". Eis o consolo com que tento dissipar o arrependimento por não tê-lo visitado: como bom leitor que era, tenho certeza de que soube entender a importância que teve na minha vida.
Hoje, ao constatar que o mundo está sem o Professor João Rios, sinto-me um pouco órfã...
Desde a semana passada me ocorrera fazer a ele uma visita, infelizmente não concretizada. Profundo arrependimento me incomoda por não tê-lo encontrado antes do enfarte que lhe tirou a vida e privou o mundo de um intelectual cuja importância em minha formação é incomensurável.
Estive com o Prof. João por duas vezes, ano passado. A primeira foi para uma conversa agradabilíssima sobre meu primeiro livro, Graciliano Ramos, um escritor personagem. A segunda, para presenteá-lo com outro, que escrevi em coautoria com dois colegas/amigos, Catálogo de benefícios: o significado de uma homenagem, também em torno de Graciliano Ramos. Nessa ocasião, a promessa de voltar para uma terceira visita, adiada por motivos diversos, e agora definitivamente impossível...
Se há alguém que posso chamar de "meu tipo inesquecível", é João Rios. Estudei com ele dois anos seguidos, nos tempos do antigo ginasial. Era professor de língua portuguesa e iniciou-me na literatura brasileira. A cada início de ano, passava-nos uma lista de 10 livros de autores brasileiros, de diferentes períodos, todos disponíveis na biblioteca pública. A gente ia lendo e ficava esperando o dia em que ele "cobraria" a leitura, mas isso não acontecia. O que acontecia era uma aula em que o professor comentava um dos livros, trocava ideias sobre ele conosco, ajudava-nos a entender a linguagem, os significados, as relações entre a obra literária e a sociedade em que vivíamos, nos anos de chumbo da ditadura empresarial-militar que assolou o Brasil por 21 anos.
Éramos meninas e meninos de 13, 14 anos e tínhamos um professor que, além de nos ensinar a escrever bem, exercia conosco a leitura emancipadora, em pleno período de repressão política e alienação forçada da juventude. Estudar com o Professor João Rios foi garantia de nos tornarmos seres pensantes, críticos e politicamente atuantes.
Na dedicatória do segundo livro com que o presenteei, lembro-me de ter escrito: "inesquecível professor". Eis o consolo com que tento dissipar o arrependimento por não tê-lo visitado: como bom leitor que era, tenho certeza de que soube entender a importância que teve na minha vida.
Hoje, ao constatar que o mundo está sem o Professor João Rios, sinto-me um pouco órfã...