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domingo, 4 de setembro de 2011

Um dia de campo

Um bom programa de fim-de-semana foi a visita que fizemos às chácaras do Grupo Vida e Preservação, nas proximidades de Padre Bernardo. É uma associação de produtores de verduras, legumes e frutas cultivadas sem o uso de agrotóxicos, que são entregues na minha casa toda semana.


Em iniciativa inédita, esses produtores convidaram os consumidores para passarem a manhã de sábado no assentamento, onde conheceram as plantações e puderam comprovar o uso de técnicas de cultivo tradicionais, inclusive com o controle biológico de pragas. Muito interessante.

Antes de conhecermos as chácaras, assistimos ao filme "Mosaico de olhares", que relata a luta desses agricultores familiares para comercializarem diretamente a produção, sem a exploração de outra "praga biológica" que são os atravessadores, os que, nos esquemas tradicionais de comercialização, lucram mais do que os trabalhadores que labutam de sol a sol nas plantações.

Quem mais gostou do programa foram as crianças, que aprenderam de onde vem as verduras que os adultos se esforçam para fazê-las comer. Comeram morangos e carambolas, alface americana colhida na hora, cenouras e muitos outros produtos.


A visita foi encerrada com delicioso almoço: salada variadíssima, legumes também variados, um delicioso angu de milho verde, creme de espinafre e galinha caipira, tudo isso acompanhado por sucos de morango, laranja e acerola. Bom demais. Foi um sábado tranquilo, em que conhecemos pessoas muito boas, trabalhadoras, cujas iniciativas nos dão bela lição de associativismo.

Quanto a mim, principalmente depois do lançamento do último filme de Sílvio Tendler - O veneno está na mesa -, estou mais do que nunca convicta da necessidade de consumir sempre produtos da agricultura familiar, os chamados "orgânicos", pois está comprovado: ao latifúndio não interessa que o Brasil deixe de ser o campeão mundial no uso de agrotóxicos.

Se você tem interesse em comprar os produtos do Grupo Vida e Preservação, coloque um comentário depois deste post, deixando seu e-mail, que eu lhe mando o número do telefone para encomendas.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Coisas de Minas... e de mineiros!

Guimarães Rosa disse que Minas é várias. E é mesmo. Aquele lugar é mais que um estado, é quase um país. Ou é uma síntese do Brasil, com todas as suas contradições.

Eu não promovo textos do tipo "ser mineiro é...", que acabam fazendo a apologia de valores reacionários e consagrando um tipo de político "raposa", daqueles capazes de acordos espúrios com as tradicionais elites mineiras para se manter no poder. Além disso, como mineira, penso que não existe um conjunto único de características para definir os mineiros, assim como não pode haver também para definir cariocas, paulistas, gaúchos, cearenses, paraenses etc.

O que existe é um grande número de pessoas que compartilham bens culturais, materiais e imateriais, alguns exclusivos da região em que habitam e que lhes dá um sentimento de unidade, como o sotaque, por exemplo. Eu adoro o sotaque mineiro, tão único e ao mesmo tempo tão variado, dependendo da região de Minas em que você esteja. Para quem não sabe, aquele jeito de escrever do Guimarães Rosa é, de verdade, o jeito de falar de muitos mineiros, que o leitor capta melhor se ler o texto em voz alta.

E o mineiro é capaz de iniciativas pioneiras, que hoje podem nos parecer ultrapassadas e antigas, mas persistem e mostram que o caminho para uma economia solidária pode ser construído. No video abaixo (valeu, Ivan Moraes, lá dos EUA!) vocês podem ver essas práticas incorporadas ao cotidiano de uma família de comerciantes da cidade de Itabirito. Deliciem-se!