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domingo, 11 de dezembro de 2011

De mafiosos e suas máfias

Hoje me deu vontade de passear por este blog. Reli postagens antigas, como se estivesse matando saudades de mim mesma. Reli também comentários - poucos - de leitores e confirmei o que já sabia: este é o blog menos comentado que conheço. Mas continua sendo lido, como me informam as estatísticas do blogger.

Então, se continuo sendo lida, isso reacende em mim o desejo de configurar a existência deste blog como um espaço muito necessário para minha vida. Escrever e saber que há pessoas que nos leem é muito bom e ao mesmo tempo meio intimidador.

Estou embarcando em novo projeto, que talvez resulte em novo livro. Desta vez não é pesquisa da literatura brasileira, mas resgate da memória recente do país. No tempo oportuno farei aqui a divulgação desse trabalho.

Enquanto isso, muitos assuntos rolam na velha mídia e, em maior proporção, fora dela - nos blogs e sites independentes, alguns que já foram até tachados de "sujos" por certo político.

Em nível nacional, o escândalo do momento é o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., denominado "A privataria tucana". Chegou dia 9/12 às livrarias e teve a primeira edição esgotada em dois dias. Você pode ler aqui e aqui sobre esse que está sendo considerado o melhor trabalho de jornalismo investigativo dos últimos dez anos. Se quiser conhecer os meandros complicadíssimos da lavagem de dinheiro pelo esquema tucano, com José Serra à frente, há um video e textos também aqui.


Em Brasília, uma sucessão de denúncias contra o governo tenta fabricar um escândalo. Há muita coisa suspeita, que Agnelo e seu grupo precisam explicar. É inadmissível que eles sejam iguais aos que durante tanto tempo combatemos na política local. Por isso, todos os denunciados até agora tem de dar explicações, não basta negar as denúncias.

Mas um detalhe chama a atenção quando comparo os dois casos, o livro-bomba de Amaury Jr. e as denúncias em Brasília, ambos relacionados com o financiamento privado das campanhas políticas: de um lado há o silêncio obsequioso da grande máfia midiática. Para jornalões como a Falha, ops, Folha de São Paulo e Correio Braziliense, é como se o livro não existisse. Nem uma linha sequer sobre seu lançamento. Já o último episódio do policial desequilibrado que invadiu a antessala da casa civil do GDF tem sido repercutido à exaustão, com cobrança indignada de explicações.

Daí que, vendo essas coisas, fico aqui pensando... Se eu fosse uma "consultora" especializada em forjar escândalos para comprometer políticos, um cuidado que tomaria diz respeito a não deixar óbvia a armação. Esse cuidado passou despercebido aos idealizadores das denúncias no GDF, que, ao tentarem incluir no rol dos incriminados o deputado Paulo Tadeu, excederam-se na espetacularização da denúncia, desnudando seu caráter falso e evidenciando a maquinação para assassinatos de reputação. Sempre contando com a cumplicidade da máfia midiática.

Há uma lição preciosa no livro do Amaury: a de que existe forte cumplicidade entre a mídia corporativa, os especuladores do grande capital, os grandes empresários e os políticos que os representam. Essa cumplicidade é responsável por fazer com que, por exemplo, até as pessoas mais esclarecidas tenham o senso crítico embotado e se deixem enganar pelas notícias e pelos comentaristas dos meios de comunicação. Hoje mais do que nunca estou convencida de que, no Brasil, a imprensa não "dá" as notícias, mas as fabrica.

Alternativas? Procurar notícias em alguns poucos veículos estrangeiros - dado que essa cumplicidade parece ser global, basta ver como a imprensa tem tratado os golpes de estado dos bancos contra a democracia na Europa. Mas, principalmente, frequentar sites e blogs de pessoas, jornalistas ou não, que corram atrás da notícia, em seu sentido original de "acontecimento digno de disseminação, reflexão e discussão".

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bônus demográfico

Você sabe o que é bônus demográfico?

Eu soube hoje, no blog do Nassif, quando ele comentou matéria d'
O Estado de São Paulo, relatando que se trata "de um período no qual a população economicamente ativa supera largamente a de dependentes, composta por idosos e crianças. Segundo especialistas, é uma condição propícia ao desenvolvimento de uma economia."

Diz o jornal que essa situação é algo raro na história econômica de um país. É uma "janela de oportunidade" para o crescimento econômico e acontece apenas uma vez. É como naqueles filmes em que há um portal para outra dimensão: se o herói perde o
timing, o portal se fecha e ele fica preso para sempre em uma dimensão inferior. Para aproveitar bem o bônus econômico, o país tem de "absorver a mão de obra disponível e incentivar as potencialidades da alta proporção de pessoas capazes de contribuir para a elevação da produção e da produtividade.”

A notícia boa é que o Brasil tem hoje 67,6% da população no grupo das pessoas aptas a ingressarem no mundo do trabalho, contra 32,4% de crianças e idosos, ou seja, aqueles que ainda não podem produzir e os que já deixaram seus postos de trabalho. A estimativa é que em 2020, a população trabalhadora atinja 70,4% do total da população brasileira. É um cenário futuro muito promissor, se o país souber aproveitar o bônus demográfico. Para isso, tem de investir na criação de empregos, na educação e na saúde dos brasileiros.

Notícia boa, não? Deixou-me animada e esperançosa.

Também me fez refletir. O próximo ano é de eleições para presidente e governadores. Dos candidatos autodeclarados, não declarados e totalmente no armário, tanto para o executivo federal quanto para os estaduais, preciso escolher aqueles cujo compromisso com esse investimento vá além da retórica de campanha.

Não será suficiente o discurso da competência, porque esse é facilmente desmascarado pelas notícias sobre como os governadores vem atuando nas mais diferentes situações, especialmente aquelas mais aflitivas para os cidadãos pobres. Poses marqueteiras estão dispensadas, o que vai contar é o trabalho e o resultado efetivo dele. Palavrório como "choque de gestão", "choque de capitalismo", "estado paquidérmico", essas coisas típicas do neoliberalismo, não cola mais.

Papo de experiência, como o que Serra usou contra Lula na campanha passada, esse não cola mais também. Lula provou que, mesmo sem experiência em poder executivo e com toda a mídia contra ele, é possível fazer um bom governo. (Claro que com muitas ressalvas: bom quando comparado com os que o antecederam no período pós-ditadura, dentro das regras da democracia burguesa. Mas, para minhas aspirações, teria que ser revolucionário mesmo, fazendo a reforma agrária e quebrando de vez privilégios históricos.)

Então está aí um dado para que comecemos a pensar, enquanto o bolo alimentar dos panetones mal-digeridos teima em nos dar azia.