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terça-feira, 16 de março de 2010

Série: Mentiras mafiomidiáticas

Uma leitura dos jornais hoje foi suficiente para reforçar uma idéia que há tempos venho matutando para este blog: criar uma série dedicada a mostrar as mentiras e manipulações da imprensa brasileira.

Há pouco tempo realizou-se em Brasília a II Conferência Nacional da Cultura. Vocês viram notícias desse evento nos jornalões impressos e nos jornais de televisão? Não? Nem eu! À exceção da rádio Nacional FM de Brasília e do canais de TV NBR e TV Brasil, para a máfia midiática brasileira foi como se a Conferência não tivesse existido. No máximo, uma ou outra notinha escondida em páginas menos lidas.

Isso porque os eixos de discussão incluíram a expressão "quebra de monopólio". Sabem vocês que isso dá arrepios e provoca alucinações paranóides em todos no baronato encastelado nas redações Brasil afora. Quebra nº 1: monopólio das produções culturais, cujo financiamento se concentra, majoritariamente, nas produções das regiões sul e sudeste. Quebra nº 2: monopólio da comunicação, concentrado nas mãos de mais ou menos 12 famiglias de mídia, no Brasil todo.

Daí o boicote. Primeiro, os grupos mafiomidiáticos boicotaram - e tentaram desqualificar - a Conferência Nacional da Comunicação. Agora fazem o mesmo com a Conferência Nacional da Cultura. Devem achar detestável essa mania do governo Lula de fazer conferências municipais, regionais e estaduais, que mobilizam muita gente e, depois, enviam seus delegados para a conferência nacional. Esta última é que elabora as diretrizes da política pública para a área contemplada. Tem sido assim com as políticas para a educação, para as mulheres, para os negros e para a saúde. Por que não fazer o mesmo com a comunicação e com a cultura? - Porque não pode, responde a grande mídia ultrapassada pelo processo social. E não pode porque ameaça privilégios e os lucros das fábricas de notícias.

Então o que faz a mafia midiática? Realiza em São Paulo um convescote travestido de ciclo de conferências sobre a "Liberdade de expressão" (Clique para ver os novos significados mafiomidiáticos dessa expressão, conforme o jornalista Washington Araújo). Vários nomes da fina flor do reacionarismo fazem suas palestras. O tema? "O que a imprensa deve fazer para impedir que certa candidata a presidente seja eleita." Isso foi dito com todas as letras nas conferências(?) de Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Roberto Civitta, William Waack e pelos intelectuais-pitbuls a serviço da grande mídia Demétrio Magnoli e Denis Rosenfeld, entre outros.

O evento mafiomidiático foi bastante badalado pela mafiomídia e contou também com a presença de dignos representantes do DEMOcratas, do PSDB, da Opus Dei e da TFP de priscas eras. Tivesse caído ali um meteoro destruidor, o Brasil ficaria sem direita... e quiçá sem grande imprensa!

Resumindo: naquele evento do tal Instituto Millenium foi tudo combinado: daqui para a frente a imprensa vira um partido político em defesa do seu candidato a presidente do Brasil, José Serra. E teve início o vale-tudo para desqualificar adversários, concorram eles a presidente, governador e/ou deputado/senador. E a artilharia pesada já começou. Vale qualquer tipo de associação de candidatos da esquerda com práticas ilícitas ou criminosas, mesmo que essas práticas sejam aquelas da velha direitona. Querem um exemplo?

Correio Braziliense de hoje, 16 de março de 2010, caderno Cidades, página 25: Petistas frente a frente - Agnelo e Magela participam hoje à noite do único debate antes da prévia que definirá o candidato do PT ao Buriti. A matéria é assinada por Ana Maria Campos.

Detalhe: no alto da página, à esquerda, vem um título: "Caixa de Pandora".

O leitor arguto se perguntará: Mas que sabujice é essa? Qual é a relação que existe entre os dois pré-candidatos do PT ao governo do DF e a Operação Caixa de Pandora da PF, que flagrou o governador licenciado Arruda e sua quadrilha com a mão na cumbuca? Por que esse jornal quer forçar uma associação a que ninguém se referiu, pois inexistente?

Veem que sutileza, leitores? Os capos mafiomidiáticos e seus perdigueiros pensam que somos todos tontos. E manipuláveis.

Por essas e outras decidi criar uma série neste blogue, dedicada a mostrar as mentiras e manipulações da máfia detentora dos meios de comunicação no Brasil.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Eu não te perdoo, Arruda!!!


Indignação.

Esse é o sentimento que me assalta quando vejo as imagens do discurso de José Roberto Arruda, governador do DF pelo DEM, atolado até o pescoço em denúncias gravíssimas de caixa 2:

"Perdoo, a cada dia, os que me insultam. Entendo as suas indignações pelas forças das imagens. E, sabem por que eu perdoei? Porque só assim eu posso também pedir perdão dos meus pecados" (Clique aqui para ver o vídeo com o discurso na íntegra, se você tiver estômago forte)

Esse foi um discurso feito para professores, durante cerimônia de posse dos diretores eleitos nas escolas da rede pública. Discurso para educadores, certo? Eu não ouvi nenhuma vaia. E você?

O que tem ele a nos perdoar? O que foi que você, eu... nós fizemos para merecer o magnânimo perdão do governador? Está ele invertendo a máxima de São Francisco de Assis, "é perdoando que se é perdoado"? É possível tanto cinismo, tanta cara-dura?

Esse homem, quando não está chafurdando em denúncias, age como rei, com o beneplácito da imprensa, que festeja todas as suas ações. Encena o déspota esclarecido, mas não passa de um demagogo assistencialista:

Um mentiroso contumaz

Com direito a páginas amarelas na VEJA, que o saudou como a mais nova promessa para a sucessão presidencial (o grande mico jornalístico do ano passado!). Outros jornais enalteceram suas realizações: o maior número de obras em andamento, por um só administrador, no país. Destaque para o centenário Correio Braziliense, que, depois do escândalo, conseguiu transformar Arruda em sujeito oculto, como bem disse o prof. Venício Lima, da UnB. Todos se esqueceram, apenas, de dizer que para cada obra, das mais de 100 em andamento, a quadrilha liderada por ele tinha um quinhão a receber.

Flagrado, saiu-se com a pérola de que o dinheiro se destinava à compra de panetones para o Natal dos carentes. Depois tomou chá de sumiço e articulou base de apoio na Câmara Legislativa do DF, para garantir a rejeição dos pedidos de impeachment lá protocolados. Exonerou dois secretários para voltarem à CLDF. Na próxima segunda, dia 11, não será surpresa se todos os parlamentares flagrados pelas câmeras do escândalo se apresentarem para o início dos trabalhos. Trata-se de garantir a folgada maioria para Arruda. E somente eles sabem que preço está sendo pago por isso.

Sinto-me enojada, no sentido espanhol da palavra. Não é um mal-estar daqueles que fazem que você se recolha e fique horas debruçado sobre o vaso sanitário. É um mal-estar impulsionador de alguma ação, é um misto de nojo, indignação e vontade de dar um basta.

Eu não votei em Arruda. Jamais votaria nele, por ser do DEM e por ter uma folha-corrida que incluía a violação do painel eletrônico de votações do Senado, junto com o famigerado ACM. Agora acho que os brasilienses que deram a ele seu voto, junto com sua confiança, devem se mobilizar para exigir que seja cassado, e também o vice-governador Paulo Octávio, outro beneficiário do esquemão. E também os deputados e deputadas envolvidos na falcatrua mais fenomenal de que se tem notícia no Brasil.

Segunda-feira, dia 11/01, às 10 h, tem manifestação em frente à Câmara Legislativa do DF.