Este é um espaço para registro de impressões e reflexões sobre o que se vive, o que se lê, o que se vê, o que se sente.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Reparação (simbólica) histórica
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Um quase retorno
Política
Willian Vieira
Ditadura
Memória reempossada



sábado, 3 de março de 2012
O passado é pedagógico III (e último!)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Primeiro: ontem saiu a notícia da morte de um certo Coronel Erasmo Dias, aos 85 anos, de câncer. Postei no Blog do Nassif o seguinte comentário:
"Pois é… Mais um que morre sem prestar contas por seus mandos e desmandos. Caberá ao diabo criar o tribunal de exceção para julgar os crimes da ditadura?"
Recebi dele a seguinte resposta:
"A não ser o abuso da invasão da PUC, nunca vi seu nome associado a torturas. No fundo era um falastrão, que parava o trânsito de madrugada apenas para se exibir para namoradas."
Depois, Mário Siqueira postou também o seguinte:
"Falastrão, Nassif ?
Ele foi Secretário da Segurança Pública de 1974 a 1979.
Nesse período morreram em SP, na prisão, entre outros, Wladimir Herzog e Manuel Fiel Filho, só para lembrar os mais conhecidos."
Depois, em outro comentário, alguém também lembrou que o Cel. Erasmo Dias aproveitou-se do cargo para conseguir que o IML de São Paulo "legalizasse" as mortes ocorridas nos cárceres da tortura.
Eu, muito particularmente, guardo em algum canto seguro uma caixa de foguetes. De vez em quando um deles pipoca. Mas eu confesso que, antes de todos os meus foguetes pipocarem, gostaria de ver todos os cúmplices da ditadura empresarial-militar responderem por seus atos. E sigo repetindo as histórias por aí, porque o esquecimento é a arma com que contam os covardes para ficarem em paz.
Segundo assunto: o golpismo do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, que vazou relatório sigiloso da FAB sobre a compra de aviões para as forças armadas, criando um factóide que a mídia, também golpista, está explorando à exaustão, inclusive com direito a publicação de mentiras nas colunas assinadas, como a última da Eliane Cantanhede. (Não coloco o link aqui porque não acesso esse lixo que é a Folha de S. Paulo, apenas leio esse jornalismo de esgoto quando suas matérias são destacadas nos blogs que frequento).
Ao colocar Lula contra a parede no caso dessa compra (de passagem, diga-se que o avião sueco preferido pela FAB é apenas um projeto e a transação não prevê transferência de tecnologia para o Brasil), o ministro ajudou os comandantes militares a retaliarem o governo, por causa do Plano Nacional de Direitos Humanos, pois eles são contra a criação daquela comissão que trabalhará na apuração dos crimes dos torturadores durante a ditadura civil-militar.
Sigamos com atenção o desenrolar dessas situações, para termos noção do quanto podem radicalizar no golpismo o ministro, os militares e a mídia.
Terceiro assunto: recebo por e-mail a notícia (clique aqui para ler) de que Cristina Kirchner, presidenta da Argentina, assinou hoje o decreto nº 4/2010, que obriga à abertura dos arquivos relacionados à atuação das forças armadas daquele país durante a ditadura militar que governou o país de 1973 a 1986.
Esse eu coloco aqui só para dar um gostinho de quero-mais, para nos animar a lutar pela mesma coisa aqui no Brasil.
Isso também será difícil, porque haverá a mídia dizendo que é preciso esquecer tudo para se conseguir a paz e a harmonia; haverá o Boris Casoy trovejando que "isso é uma vergonha" e haverá o mesmo ministro Jobim dizendo que é "revanchismo".
Li na Carta Maior uma carta aberta de Alípio Freire ao Secretário de Direitos Humanos Paulo Vanucchi, na qual ele define o que seria revanchismo:
"seria pretender que os acusados (diretos ou indiretos) de crimes de tortura fossem seqüestrados, levados para cárceres clandestinos onde permaneceriam desaparecidos durante o tempo que melhor aprouvesse aos seus seqüestradores; onde seriam interrogados sob as mais aviltantes torturas; e, depois, aqueles que sobrevivessem aos meses de incomunicabilidade e sevícias, que sobrevivessem ao chamado 'terror dos porões', fossem submetidos à farsa burlesca do julgamento nos tribunais de guerra."
Estão aí os assuntos. Reflexões sobre eles serão bem recebidas, para que este deixe de ser o blog mais estranho da web, em que há leitores mas quase não há comentários sobre os textos aqui postados.
Para refrigerar o clima um pouco, depois de assuntos tão pesados, fiquem com uma bela foto de namorados:
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
"Anistia não é amnésia."
OAB critica Jobim por reagir à criação de comissão para investigar ditadura militar
por Luciana Lima, repórter da Agência Brasil
Brasília - “Anistia não é amnésia”, disse hoje (30) o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, ao criticar as o que chamou de “pressão” do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e de comandantes militares contra a criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos.
"O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade. Anistia não é amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distantes", declarou Britto.
A criação de uma comissão especial para investigar torturas e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) causou divergência entre o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão responsável pela elaboração do programa, e o ministro da Defesa. Nelson Jobim. Para Jobim e para os militares, a comissão especial teria o objetivo de revogar a Lei de Anistia de 1979.
"Um país que se acovarda diante de sua própria história não pode ser levado a sério. O direito à verdade e à memória garantido pela Constituição não pode ser revogado por pressões ocultas ou daqueles que estão comprometidos com o passado que não se quer ver revelado", disse Britto."O Brasil que está no Haiti defendendo a democracia naquela país não pode ser o país que aqui se acovarda".
A OAB defende no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal Militar (STM) ações reivindicando a abertura dos arquivos da ditadura e a punição aos torturadores. Já o ministro Jobim disse que a busca pela verdade não pode significar “revanchismo”.
Hoje, o Ministério da Defesa e a Secretaria de Direitos Humanos informaram que os ministros não pretendem falar sobre o assunto nem divulgariam notas a seu respeito.
Já passa da hora!!!!
E quando surge qualquer iniciativa para dar início a esse ajuste de contas, as reações são iradas e irracionais. Os apoiadores da ditadura estão ainda hoje na ativa, no Congresso Nacional, no Executivo e no Judiciário. É preciso tornar público o passado daqueles que se beneficiaram do regime, denunciá-los como cúmplices de crime de lesa-humanidade, que é imprescritível.
Fiquemos atentos, porque deu na Folha de São Paulo de hoje:
Contra "Comissão da Verdade", comandantes ameaçam sair
Exército e Aeronáutica dizem que plano para apurar tortura na ditadura é revanchista
Secretário de Direitos Humanos também diz que se demite se houver recuo; Lula deve deixar decisão de impasse para volta de férias
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no dia 23, às vésperas do Natal, os dois classificaram o documento como "excessivamente insultuoso, agressivo e revanchista" às Forças Armadas e disseram que os seus comandados se sentiram diretamente ofendidos. O comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, não estava em Brasília.
Jobim disse que não tinha sido consultado sobre os termos do plano, que não concordava com tentativas de revanchismo e que iria falar com Lula a respeito. Com isso, acabou colocando o presidente entre dois polos de pressão: os militares, de um lado, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, do outro.
Lula embarca hoje para a folga de fim de ano na Bahia procurando uma solução de contemporização. Os militares se contentariam com mudanças no texto, mas Vannuchi está irredutível e também ameaça sair do governo caso haja recuo.
Até ontem, a opção de Lula para minimizar a crise era uma saída de meio termo: não mexer no texto, mas orientar as comissões técnicas encarregadas de executá-lo a ignorar na prática os pontos mais críticos.
À Folha, um alto funcionário civil disse que a "tensão está fortíssima". Esse clima ficou evidente na cerimônia que Lula presidiu anteontem, no CCBB, para sancionar a nova lei de cargos e salários dos taifeiros da Aeronáutica, na presença de Saito, que conversou à parte com o presidente.
Convidado por Lula, Jobim disse que não poderia comparecer à cerimônia porque estaria fora de Brasília. Quem acabou aparecendo, para um evento da Funai, foi Tarso Genro. Também conversou reservadamente com o presidente.
Vannuchi está no olho do furacão: ele tinha despacho com o presidente às 18h do mesmo dia, mas o encontro foi adiado de última hora para ontem e, no final, acabou não acontecendo, o que aumentou a suspeita de que ele também tenha colocado o cargo à disposição.
Lula conversou com Vannuchi por telefone e lhe falou sobre a "fórmula de conciliação", mas o desfecho ficará para a volta de Lula, em 11 de janeiro.
O foco da crise é o sexto capítulo do Plano de Direitos Humanos, anunciado por Lula no dia 21 e publicado no "Diário Oficial" da União, no dia seguinte, com 180 páginas.
O capítulo se chama "Eixo Orientador 6: Direito à Memória e à Verdade". Duas propostas deixaram a área militar particularmente irritada: identificar e tornar públicas as "estruturas" utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura e criar uma legislação nacional proibindo que ruas, praças, monumentos e estádios tenham nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura.
Na leitura dos militares, isso significa que o governo do PT, formado por muitos personagens que atuaram "do outro lado" no regime militar, está querendo jogar a opinião pública contra as Forças Armadas.
Imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora.
Em Brasília, por exemplo, há a ponte Costa e Silva e o Ginásio Presidente Médici -ambos presidentes no regime militar.



