Mostrando postagens com marcador Arruda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arruda. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

De costas para a parede...

Tem dias em que há tanto assunto que fica difícil escolher sobre o que falar aqui.

Primeiro, o carnaval de Brasília foi ótimo. Nem vi a folia, mas passei os cinco dias de feriado em estado de graça, vendo nos noticiários: "Hoje o governador - licenciado - José Roberto Arruda recebeu apenas a visita da mulher dele, Flávia Arruda, que foi à PF levar seu almoço". O homem está lá, quem diria, preso! Nunca antes na história deste país... eu tinha visto um notório criminoso rico ser preso e - mais importante - permanecer preso, sem os famosos
habeas corpus do presidente do STF para limpar a barra.

E nem foi preciso esperar que terminasse a semana para sacar que o vice-governador, Paulo Octávio - aquele da Operação Uruguai, junto com Luiz Estêvão, na época do impeachment do Collor, lembram? - não aguenta uma semana no cargo. Também ele está "de costas para a parede" tentando se defender das sérias denúncias de envolvimento nos crimes da Caixa de Pandora.

Por falar em "de costas para a parede", há muitos aqui em Brasília nessa posição defensiva. Por onde anda o "ético" Augusto Carvalho, secretário de saúde? Sumiu... E o Prudente, prudentemente escondido, cadê? Por onde anda o recém-casado Luiz Valente, ex-secretário de educação? Sumiu também... (Veja aqui um video do caro casamento e curta o modelito da distintíssima noiva).



Se você for à Câmara Legislativa do DF - aquela que se fingiu de égua e agora, com a ameaça de intervenção federal, tenta instalar uma comissão para acolher os pedidos de impeachment - vai encontrar 80% dos deputados encostados na parede. Uns, para não cair de preguiça, outros para não serem cassados.

Aqui em Brasília as conversas correm. Soubemos que a digna Eurides Brito estava em depressão, por ter virado marchinha do Pacotão. Deve ter doído muito ver os foliões carregando bolsas transbordantes de dinheiro... O Arruda está também deprimido, porque tinha certeza de que não ficaria mais de um dia preso. Corre à boca pequena que cantarolava sem parar aquela música do Chico Buarque: "Pra mim, basta um dia... Não mais que um dia... Um meio dia..." De repente, ficou mudo.

Dizem coisas também sobre o jornalista Sombra, tratado pela mídia como o algoz de Arruda, o homem que botou mais lenha na já crepitante fogueira da PF. Bem, dizem que é rorizista de carteirinha. Parou de agir na sombra para que
il capo possa ficar quietinho, curtindo o prazer de ver a derrocada do arrogante careca.

Às vezes tenho a sensação de que tudo isso a que assistimos na capital do Brasil é apenas mais uma briga de gangues. Disputa de território? Não, disputa pré-eleitoral para garantir a apropriação da coisa pública nas eleições deste ano. É uma gangue cujos membros não confiam nem uns nos outros, vários são os episódios de esfaqueamento pelas costas entre eles - lembram-se de quando Roriz teve que renunciar ao Senado? Pois então...

Mas desta vez há novos e inesperados atores no espetáculo da degradação política patrocinada por essa "vanguarda do atraso": a PF, o Ministério Público e a OAB. Emergem como forças novas e diferentes, quebrando, pela primeira vez em muitos anos, a hegemonia dos gângsteres.

Aguardemos a promissora próxima semana...

* * *

Em tempo - Hoje foi dia de soltar mais um foguete daquela caixa que fica guardada em um vão qualquer: passou para o andar de baixo o general Ivan de Souza Mendes, último chefe do famigerado Serviço Nacional de Informação - o temível SNI dos tempos da ditadura empresarial-militar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dia de festa

Hoje foi, finalmente, decretada pela Justiça a prisão do governador do DF, José Roberto Arruda. Mas isso não basta. É preciso impedir o vice-governador, Paulo Octávio, de assumir o cargo, já que está também envolvido no esquema criminoso do DEM. É preciso também afastar, se possível com prisão preventiva, os deputados distritais e demais ocupantes de cargos públicos envolvidos na quadrilha. Só assim se terá a garantia de que não agirão para obstruir as investigações, coagindo e/ou subornando testemunhas.

* * *

Aquela caixa de foguetes que fica guardada em um canto qualquer foi desfalcada hoje. Morreu Armando Falcão, ministro da justiça do governo do general Ernesto Geisel, durante a ditadura empresarial-militar que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. Seu bordão como ministro era "nada a declarar". Típico de um democrata, não?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sob o céu de Brasília

Aconteceu hoje uma manifestação pelo afastamento do governador Arruda e sua quadrilha, que reuniu bastante gente no eixão de Brasília. O programa da manhã de domingo foi participar da ato público, que mesclou protesto político com a tradicional irreverência do carnaval.

As pessoas foram chegando espontaneamente, com ou sem bandeiras vermelhas, brancas, amarelas. Havia cartazes feitos a mão, em casa. Também camisetas estampadas a mão, com figuras e dizeres contra a quadrilha de políticos do DF. Havia um grupo de estudantes batendo ritmadamente em latas vazias.


À frente de tudo, o caminhão do som, tocando músicas que parodiam os acontecimentos recentes do DF. Consegui subir alguns degraus dele, para fazer esta foto:


Um dado interessante: a polícia seguiu os manifestantes durante todo o tempo. Não era necessário, pois o trânsito no eixão, aos domingos, é suspenso. E não eram poucos policiais, em motos, carrões e microônibus. Vejam:

Algumas horas depois, no sítio do Correio Braziliense, havia a notícia de que tudo fora apenas o lançamento de um bloco carnavalesco:

"Lançamento do bloco de carnaval Fora Arruda reúne 500 pessoas na Asa Sul

Danielle Santos

Publicação: 07/02/2010 12:43 Atualização: 07/02/2010 12:53

Cerca de 500 pessoas participam do pré-lançamento do bloco de carnaval Fora Arruda na manhã deste domingo (7/2). A manifestação começou por volta das 10h, na altura da 102 sul, e seguiu para a quadra comercial da 109/110, onde o trânsito está bloqueado.

Os manifestantes cantam marchinhas e dançam ao som da bateria da escola de samba Acadêmicos da Asa Norte. Participam estudantes, famílias com crianças e idosos, além de movimentos sociais com a CUT-DF e políticos, como Reguffe (PDF) e Arlete Sampaio (PT).

A mobilização será encerrada com o lançamento do bloco dos trabalhadores, da CUT-DF. Os manifestantes pretendem ficar no local até cerca de 13h30. Segundo a Polícia Militar, não há registro de ocorrências até o momento."


Impressionante, não? É a velha mídia, trabalhando para ocultar a verdade: o movimento pela saída de Arruda e toda a sua quadrilha, de preferência algemados no camburão, cresce a cada dia. Ou melhor, a cada nova notícia dos atos de bandidagem praticados pelo grupo. Um dos últimos, o da tentativa de suborno de uma testemunha - o jornalista Sombra - seria, por si só, suficiente para decretar a prisão preventiva de todo o bando, junto com a indisponibilidade dos bens. Se continuarem soltos e podendo usar tudo o que roubaram nesses anos todos, vão, sem dúvida, continuar obstruindo os trabalhos de investigação.

Aguardemos a próxima semana, que os acontecimentos prometem...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Novo capítulo da corrupção

É desalentador, mas não surpreendente, o desenrolar da crise política do Distrito Federal.

As últimas notícias dão conta de que a base aliada do governador Arruda se articula para garantir maioria nas comissões da Câmara Legislativa do DF. A renúncia do presidente (im)Prudente foi mais uma manobra para impedir que a presidência fosse assumida pelo vice, que é de oposição ao governo. O DEM emplacou Geraldo Naves na CPI da Codeplan, crucial para investigar as atividades da quadrilha instalada no governo. O distrital cotado para assumir a presidência já deu entrevista à TV dizendo que fará tudo sem pressa, estritamente dentro dos prazos regimentais - leia-se: devagarinho, para não dar tempo de apurar e punir culpados. Enquanto isso, apoiadores de Arruda aglomeravam-se em frente ao prédio da CLDF, levados por ônibus não identificados.

(Já pararam para pensar por que os vereadores daqui se autodenominam pomposamente de "deputados distritais"? De verdade, mesmo, são só vereadores; basta ver as leis que aprovam!)

São as máfias agindo. O objetivo é garantir mais impunidade. Aguardemos o término desta semana para ver como fica o quadro.

Desalentador, mas não surpreendente, eu disse. Quem conhece a cultura predominante em Brasília não se surpreende com o desenrolar dos fatos. Nesta cidade, a lei vale apenas para os que não são amigos do rei, desde sempre. Antigamente, era comum ouvir, em uma situação corriqueira: "Você sabe com quem está falando?" Eu já tive que ouvir até: "Você sabe com a filha de quem você está falando?"

Em Brasília, todos os postos de gasolina praticam os mesmos preços. E não há ministério público que consiga provar existência de cartel. Há muitos "puxadinhos" e quiosques para invasão de área pública, tanto nos bairros nobres quanto nas cidades-satélites, mas não aparece uma fiscalização que notifique os invasores. Há áreas privatizadas por cercas às margens do lago Paranoá, desde sempre. Figurões dos três poderes locais, e mais outros tantos servidores anônimos que se locupletam em esquemas nos poderes da esfera federal, apropriam-se despudoradamente dos espaços públicos. (Onde anda Agaciel Maia?... Sumiu dos jornais.)

É a cidade das carteiradas, das "autoridades".

Não digo que não haja em Brasília cidadãos honestos, porque os há, em grande número. Mas muitos desses cidadãos honestos tem lá seu receio de se meter em briga de cachorro grande, de exigir a apuração e o fim da roubalheira. Talvez morem em condomínios irregulares e aguardem a regularização, pensando que para isso dependem dos políticos locais; talvez sejam trabalhadores terceirizados e temam por seus empregos; talvez sejam de grupos religiosos e pensem que tem de proteger os de sua religião, mesmo que eles façam a famigerada "oração da propina", para que sejam também protegidos em caso de necessidade.

Esse lado, como vocês veem, não é exclusividade de Brasília. Em muitas outras cidades os cidadãos honestos são premidos pelas necessidades a apoiarem um ou outro grupo político ou religioso (os dois, para mim, são a mesma coisa). É a luta pela sobrevivência, em alguns casos. Mas em outros é puro oportunismo mesmo.

Em Brasília, como no resto do Brasil, há uma imprensa que só noticia o que lhe desagrada se os fatos saltarem descaradamente sobre a realidade. Eu já disse aqui que o
Correio Braziliense transformou Arruda e Paulo Octávio, os cabeças do velho esquema, junto com Roriz, em ectoplasmas, cujos nomes só aparecem nas matérias para realçar qualidades como discrição, perseverança, capacidade de articulação... É o jornal operando a desconstrução do real e apostando no ilusionismo barato.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Brasília e as máfias políticas

Os acontecimentos recentes na vida política do Distrito Federal são assombrosos. Em 24 horas uma CPI da Câmara Legislativa foi desinstalada e reinstalada. Manobras inacreditáveis são executadas pelo grupo ligado ao governador Arruda, enquanto o presidente afastado da CLDF, Prudente-do-dinheiro-na-meia, recorre ao STF para permanecer no cargo e garantir, assim, autoridade para continuar manobrando contra a apuração dos crimes da quadrilha.

O grande medo é que no depoimento de Durval Barbosa, o ex-secretário que entregou a rapadura à PF, novas informações e/ou novos vídeos venham a público. Essa turma tem muito o que esconder, para além, muito além daquilo que já foi divulgado na mídia.

Eu acho que já disse neste espaço como vejo o problema da criminalidade nos meios políticos do DF. Isso não é de hoje, vem de muito tempo. Quando não havia autonomia política e o governador daqui era indicado - o último dos "biônicos" foi Roriz, indicado por Sarney - a farra também era comum. Grilagem de terras públicas era corriqueiro, desvio dos recursos repassados pela União também. A corrupção aqui é antiga, só que jamais houve apuração de coisa alguma.

Com a autonomia, os métodos se sofisticaram. O crime organizado foi estabelecendo seus asseclas no Judiciário local (aqui se sabe à boca pequena de muitos juízes, desembargadores e outros togados que tem casas em condomínios e loteamentos irregulares), na Câmara (Pasmem: o famoso Pedro Passos, indiciado por grilagem de terras públicas e estelionato, eleito deputado distrital, foi presidir a comissão de assuntos fundiários da Casa!) e, claro, no Executivo, muito bem aparelhado pelos mafiosos.

De máfia em máfia, descendo os diversos níveis da "escala do trabalho", como diria o Bóris Casoy, os quadrilheiros foram se estabelecendo: tem os do ramo imobiliário, de construções e incorporações (cujo principal capo é Paulo Octávio, junto com outros famosos empreiteiros e incorporadores), tem os da grilagem e venda de terras públicas da União e/ou do GDF, aplicando o manjadíssimo golpe de lotear, construir, ocupar e reclamar pela regularização dos condomínios rurais; tem os do transporte público, que, por sinal, é o mais caro e o pior do Brasil e cujo domínio garante o monopólio de todas as linhas; tem os da área de segurança, que vendem serviços para os órgãos públicos, desobrigando o efetivo policial do DF de fazer esse trabalho, para que seus integrantes possam se transformar em deputados distritais (duvida? conte quantos deles são oriundos da polícia civil e/ou militar...)

Essas máfias "do alto" se desdobram em várias máfias mais embaixo: de onde surgiu o deputado Batista das cooperativas? Aqui tem cooperativas habitacionais como as de Águas Claras, cooperativas de transporte-pirata e qual mais? A qual escândalo de venda de imóveis em Águas Claras você pensa que este cara está ligado? Tem também a máfia dos cemitérios, cuja representante é Eliana Pedrosa, recentemente exonerada por Arruda do cargo de secretária do Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (pergunto eu: renda de quem para quem? Irônico, não?) para voltar aos afazeres de deputada distrital da base governista e ajudar a impedir as investigações da CPI...

Estão vendo? Todos eles, se a gente for escarafunchar, tem participação em alguma máfia "do topo" ou "da base" da "escala do trabalho". Alírio Neto, delegado da polícia civil que tentou ontem desinstalar a CPI, vai às barras da comissão de ética do "ético" PPS de Augusto Carvalho e Roberto Freire. Imaginem... O vice-governador, Paulo Octávio, declarou ontem o apoio do diretório regional do também "ético" DEM a Arruda, provocando a ira de Ronaldo Caiado, logo amansado por Rodrigo Maia, que quer deixar para abril a decisão da executiva nacional do partido - pune ou não pune? Até abril, ele certamente espera que tudo tenha esfriado.

Como você vê, são todos anjos e todos muito "éticos". A gente é que os avalia pela nossa moral "torta". E não dá para entender por que o povo de Brasília, com exceção dos bravos estudantes, anda tão apático quanto a esse escândalo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Método de campanha eleitoral

Hoje, na manifestação contra a corrupção de Arruda e sua quadrilha no governo do Distrito Federal, havia muita gente.

Os estudantes estavam lá desde a madrugada. E também partidários de Arruda e dos distritais. Houve relatos de conflitos entre os dois grupos.

O carro de som do movimento "Fora Arruda" abrigava os oradores, representantes de diferentes movimentos sociais e tendências políticas do DF, que haviam começado a se pronunciar, quando chegaram muitos ônibus e caminhões carregados de gente. As pessoas desceram em bloco a rua lateral da Câmara e se postaram junto a outro caminhão de som, de um trio elétrico, que tinha também oradores gritando que os estudantes da UnB eram burguesinhos e que os verdadeiros estudantes de Brasília eram aqueles que estavam chegando para apoiar Arruda.

Abriram faixas dizendo "Arruda fica", gritavam palavras de ordem e partiram para a estratégia de fazer muito barulho, para impedir a manifestação. A Polícia Militar fez uma barreira, separando os dois grupos. Havia muita provocação e xingamentos do lado de lá e houve tentativas de romper o cordão de isolamento da PM.

Do lado de cá, continuaram a falar os oradores programados. Entre as falas, as pessoas gritavam "Arruda na Papuda, PO no xilindró" ou cantavam músicas dizendo que os bandidos iam passear algemados no camburão. Notei que havia também pessoas que não são ligadas a sindicatos e nem são estudantes. Estavam lá movidas pela indignação e queriam protestar.

Coloco aqui dois videos da manifestação:






Arruda está usando, para lidar com as manifestações contra ele e sua quadrilha, o mesmo método que aprendeu com Roriz, que é o de obrigar os servidores de cargos comissionados a irem para a rua. Algumas pessoas confidenciaram hoje que era isso: ou iriam para lá ou teriam corte de ponto e poderiam perder os cargos em comissão.

Roriz fazia isso em suas campanhas eleitorais, Arruda também fez, quando apoiado pelo pessoal de Roriz, e continua fazendo. Com mais de 18 mil cargos comissionados, o governo do DF tem muita gente para por na rua, não? E esses servidores vão, alguns por apoiarem com fé o governo e serem também cabos eleitorais, outros por intimidação.

É isso. Vamos continuar acompanhando as manifestações e as estratégias dos corruptos.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Eu não te perdoo, Arruda!!!


Indignação.

Esse é o sentimento que me assalta quando vejo as imagens do discurso de José Roberto Arruda, governador do DF pelo DEM, atolado até o pescoço em denúncias gravíssimas de caixa 2:

"Perdoo, a cada dia, os que me insultam. Entendo as suas indignações pelas forças das imagens. E, sabem por que eu perdoei? Porque só assim eu posso também pedir perdão dos meus pecados" (Clique aqui para ver o vídeo com o discurso na íntegra, se você tiver estômago forte)

Esse foi um discurso feito para professores, durante cerimônia de posse dos diretores eleitos nas escolas da rede pública. Discurso para educadores, certo? Eu não ouvi nenhuma vaia. E você?

O que tem ele a nos perdoar? O que foi que você, eu... nós fizemos para merecer o magnânimo perdão do governador? Está ele invertendo a máxima de São Francisco de Assis, "é perdoando que se é perdoado"? É possível tanto cinismo, tanta cara-dura?

Esse homem, quando não está chafurdando em denúncias, age como rei, com o beneplácito da imprensa, que festeja todas as suas ações. Encena o déspota esclarecido, mas não passa de um demagogo assistencialista:

Um mentiroso contumaz

Com direito a páginas amarelas na VEJA, que o saudou como a mais nova promessa para a sucessão presidencial (o grande mico jornalístico do ano passado!). Outros jornais enalteceram suas realizações: o maior número de obras em andamento, por um só administrador, no país. Destaque para o centenário Correio Braziliense, que, depois do escândalo, conseguiu transformar Arruda em sujeito oculto, como bem disse o prof. Venício Lima, da UnB. Todos se esqueceram, apenas, de dizer que para cada obra, das mais de 100 em andamento, a quadrilha liderada por ele tinha um quinhão a receber.

Flagrado, saiu-se com a pérola de que o dinheiro se destinava à compra de panetones para o Natal dos carentes. Depois tomou chá de sumiço e articulou base de apoio na Câmara Legislativa do DF, para garantir a rejeição dos pedidos de impeachment lá protocolados. Exonerou dois secretários para voltarem à CLDF. Na próxima segunda, dia 11, não será surpresa se todos os parlamentares flagrados pelas câmeras do escândalo se apresentarem para o início dos trabalhos. Trata-se de garantir a folgada maioria para Arruda. E somente eles sabem que preço está sendo pago por isso.

Sinto-me enojada, no sentido espanhol da palavra. Não é um mal-estar daqueles que fazem que você se recolha e fique horas debruçado sobre o vaso sanitário. É um mal-estar impulsionador de alguma ação, é um misto de nojo, indignação e vontade de dar um basta.

Eu não votei em Arruda. Jamais votaria nele, por ser do DEM e por ter uma folha-corrida que incluía a violação do painel eletrônico de votações do Senado, junto com o famigerado ACM. Agora acho que os brasilienses que deram a ele seu voto, junto com sua confiança, devem se mobilizar para exigir que seja cassado, e também o vice-governador Paulo Octávio, outro beneficiário do esquemão. E também os deputados e deputadas envolvidos na falcatrua mais fenomenal de que se tem notícia no Brasil.

Segunda-feira, dia 11/01, às 10 h, tem manifestação em frente à Câmara Legislativa do DF.